Causa e Efeito


Episódio 8


PRÓLOGO

***

Tudo que Dseyvar acabara de me contar teve um sentimento imenso de dó, de perda, de impossibilidades. A narrativa dolorosa dele calou tão fundo no meu coração que eu precisei procurar palavras para acalentar suas lágrimas e nem assim eu encontrei. Vi no olhar dele que bastava o silêncio. Então, Elessar e eu o abraçamos sem nada dizer...

Sentindo meus sentimentos Elessar me olhou com aquele seu jeito que me esquadrinhava por completo. Parecendo procurar em meus olhos, um meio de entrar fundo em minha alma. E ele sempre conseguia de tal maneira, que eu podia sentir o calor de seu amor! E sem nada dizer eu tentava passar o quanto ele era importante para mim.

Meu silêncio falava mais forte que se eu pudesse voar ao seu encontro para mostrar!
Que estava ali para ele! 
Que estava com medo! 
Que sabia do perigo que seria ir atrás do tal bruxo! 
Que eu tinha medo que ele não voltasse... 
Elessar conseguia compreender tudo isso, mas nada nesse mundo iria impedi-lo de ajudar um amigo.

O olhar silencioso de Elessar dizia a mim que eu não devia temer nada!
Mas como eu poderia pensar assim?
Embora, eu não fosse ninguém para protegê-lo do que quer que ocorresse?
Eu tinha toda certeza da minha alma que poderia! Eu tinha esta convicção!
Que eu poderia protegê-lo de alguma forma. Pela imensidão do meu sentimento.

Elessar e Dseyvar são guerreiros antes de tudo. E sabiam que todas as coisas que praticamos têm Causa e Efeito! Sabiam que poderiam não voltar como Aodh
Mas será que essas certezas penetravam na mente deles?
Certamente que não! Só pensavam na vingança!

Como poderiam penetrar se os guerreiros não foram constituídos para ver o “Efeito de suas ações”? Eles só vivem pela “Causa” Não faz parte de sua lógica considerar sempre a figura mais ampla. Como por exemplo: Se haverá perigo nas suas batalhas.

Felizmente os mundos, espiritual e físico estão sempre conectados e por ser um Elemental, eu tinha um pé em cada um deles. Minha missão por mais impossível que pudesse parecer; era lembrar constantemente que estava diante do Criador todo tempo.

Por isso em vez de pensar em mim mesmo como eu estava fazendo ao temer perder meus amigos, Imaginando quais seriam os efeitos das ações deles. (Confesso aqui: que alguns pensamentos foram assustadores)
Eu deveria ajuda-los. Tendo consciência sobre minhas próprias ações e pensamentos! Eu passei horas simplesmente observando sem dizer uma palavra.

Ficamos assim os três abraçados em silêncio cada um tendo a mais louca decisão de sua vida. Estava na hora de compartilharmos e ver o que sobraria de bom de todas as ideias.



Capitulo I



Antes de sairmos em busca do bruxo (claro que eu também fui! O que esperavam?) Elessar aconselhou a Dseyvar que fosse até seu reino e deixasse o Rei a par de toda sua decisão. Um guerreiro é destemido, mas não pode ser irresponsável. Dseyvar viajou de volta a “Suryanna” enquanto eu fui direto para os treinamentos de meus poderes Elementais.

Os magos de Uhat criaram um mundo chamado "Meio" Ficava no interior da mata fechada, Quando eles precisavam entrar neste mundo para treinamento entre eles ou para prender um oponente poderoso e perigoso, um portal era aberto e os escolhidos eram levados para dentro.

No “Meio" cada mago era testado ao extremo de suas forças e poderes.

Esse local era fechado por um campo de força indestrutível foi criado para que suas batalhas não causassem danos a Floresta nem ao povo que nela habita. Elessar me levou até lá para que eu pudesse treinar meus poderes mortais sem causar danos a ninguém, nem mesmo a floresta como no dia em que eu criei uma enorme cratera matando plantas nativas e machucando alguns Elementais.

Antes de partir Dseyvar me deu um amuleto para que eu o chamasse se fosse necessário. Antes de entrar no “Meio“ apertei entre os dedos o amuleto que foi dele e senti uma gostosa quentura familiar a envolver-me. Dessa vez eu estava temerosa! Elessar e eu estaríamos presos em um lugar, que com certeza meus poderes mortais iriam ricochetear Para ser sincera, eu nem me preocupava comigo e sim com o doce Elfo de lãs prateadas.

Elessar me pediu que esperássemos um pouco antes de entrarmos, Então sentamos junto à um grande carvalho e ficamos sentindo a brisa gostosa daquele entardecer, quietos e pensativos, até que chegaram duas belas Elfas. Uma tinha um porte de soldado e beleza de uma rainha. Com belos olhos cor de mel e lãs avermelhadas como fogo, suas vestes esvoaçantes encantavam aos olhos.


A outra era esguia como Elessar de lãs douradas e olhos azuis. Usando uma minúscula armadura que mal escondia seus seios volumosos. 
Vieram cavalgando um belo alazão de crina de fogo. Quando elas chegaram perto de nós Elessar levantou-se para cumprimenta-las. 

A Elfa vermelha chegou bem junto de Elessar e riscou o peito dele (que estava com a camisa aberta) com a garra do dedo indicador da altura do peito até o final de seu abdômen fazendo correr um fio bem fininho de sangue sendo fechado imediatamente... Mas o grande Elfo se arrepiou. Depois alisou a bunda dele abriu o portal e entrou. 

A outra o abraçou forte beijou as maças do rosto dele abriu o portal e entrou. 
Eu permaneci estática com uma coisa me arranhando o peito como se fosse uma grande ira ao ver Elessar arrepiar-se daquela maneira com a Elfa vermelha. Como se nada tivesse havido ali ele me chamou para entrar. Continuei parada sem ação... Ele me chamou de novo;

- Entra “bilauta” (gatinha na língua dele). Não podem nos ver entrar ou chamaremos a atenção de bruxos

Eu pensei quase cuspindo fogo;

- “Gatinha? Antes eu era a raposa”! Entrei com um bico deste tamanho!

Já dentro do “Meio” Elessar apresentou-nos:

= Sigel esta é a Guerreira Feir Rainha das terras do deserto.

 (A Elfa Vermelha que arrepiou Elessar)

E esta é minha filha! Princesa Anárion e guerreira do fogo!

Senti-me pequenina junto a tão ilustres majestades. Sem contar que Dseyvar também era neto de um Rei. Elessar continuou.

= Elas possuem poderes semelhantes aos seus e poderão nos ajudar no que for preciso. Até em absorver os seus poderes se for o caso. Mas o objetivo aqui é que voce os libere com o cuidado de não nos machucar. Não deve aproveitar de que podemos nos defender. Isso é um talvez! Elas estão arriscando por nós. Então seja cautelosa e sensata ao usá-los, eu confio em voce.

Dizendo isso Elessar se posicionou atrás de mim, tão próximo que eu sentia sua respiração na minha nuca... Eu pensei:

- Isso não vai dar certo!

Elessar disse:

= Concentre-se Sigel e escolha o poder que irá lançar. Voce deve derrubar aquelas lâmpadas fluorescente no centro da cúpula e nada mais.

Feir falou pela primeira vez:

- Sigel qualquer pensamento nosso, influi nos poderes que iremos usar. Ira, despeito, arrogância, medo, piedade e até mesmo autoestima. Cada sentimento nosso influi no poder de acordo a seu grau de força, dando ao poder efeito do sentimento usado.

A voz dela era rouca encantadora com certeza devia fazer qualquer ser se apaixonar por ela sem esforço. Como se me ouvisse dizer o que eu não disse... Elessar me chamou a atenção:

= Sigel! Esvazie a mente e use seu poder!

Eu respirei fundo! E me concentrei nas lâmpadas que ele me ordenou... Qualquer erro meu que ferisse a Elfa poderia parecer a Elessar que tivesse sido proposital, já que ele havia lido meu pensamento.

Concentrei-me em esvaziar a mente, olhei para as lâmpadas no centro da cúpula e enviei meu “gadaahat” (o poder do trovão) Eu tentei acertar as lâmpadas mais distantes com medo do que pudesse acontecer, e como Feir me disse: o meu medo criou grande descarga de energia em movimentos gerando cargas elétricas sem paradeiro... Sem direção... Com vários relâmpagos traçando o local com imenso clarão que acompanhavam os raios gerados pela descarga elétrica do meu “gadaahat”. Toda cúpula foi irradiada com um brilho sobrenatural como se um Sol tivesse aparecido do nada.

Eu fiquei desesperada! Afastei-me de Elessar achando que assim eu o protegeria. Mas foi exatamente o contrário, ali atrás de mim ele estava protegido dos raios. Estava errado meu pensamento de que eu pudesse ser atingida pelo meu próprio poder. Eu era imune a eles e quem estivesse em torno de mim também não sofreria danos assim como eu. 
Os raios atingiram Elessar no peito jogando-o longe. Corri ao encontro dele, mas Feir me parou e disse:

- Não Sigel! Voce não deve tocar nele, deixa com Anárion! 

Depois abriu os braços em forma de um arco e aspirou todos os raios enquanto grande ventania se formava dentro da cúpula. 
Anárion disse com as mãos sobre ele 

= “healing” 

e minutos depois ele estava bem e de pé. Eu corri e o abracei apertado e disse que não queria mais treinar. Mas ele me segurou pelos ombros e disse com energia:

= Voce vai conseguir Sigel! Faça!

Capitulo II

Mas eu não queria, estava desesperada demais para tentar novamente e machucar algum daqueles seres maravilhosos que estavam ali para me ajudar. Foi então que Elessar me abraçou com uma das mãos na minha nuca por baixo das lãs e cantou!! Elessar emitia notas perfeitas, nunca ouvidas por mim. Algo realmente maravilhoso! Acalmando meu medo.

E começamos de novo! Feir criou uma barreira feita comas mãos juntas criando um cone que direcionava o meu poder para as lâmpadas, Elessar atrás de mim me segurava forte porque meu corpo trepidava me tirando da direção do cone. De Repente Anárion falou.

- Fecha os olhos Sigel!

Eu disse que só poderia enviar meus poderes se visse o alvo. E ela continuou a me pedir que fechasse os olhos e confiasse nela.
Anárion me ajudava a direcionar meus poderes com instruções.

- Feir retire o cone!

- Está certa disso Princesa??

- Sim! Estou querida!

Eu fechei os olhos e Anárion continuou!

- Sigel voce lembra onde estão as lâmpadas mesmo sem olhar para elas?

Eu disse que sim, que sabia exatamente onde estava!
Ela pediu que eu enviasse o poder com os olhos fechados.
Pedi então que elas se protegessem para qualquer eventualidade e enviei meu "gadaahat":

Eu fiz assim: antes pensei nas disposições das lâmpadas e na distancia de cada uma delas. Em seguida pedi a Elessar que me direcionasse e enviei meu "gadaahat"  Com sabedoria dessa vez! 
Lembrando que meus antigos mestres me ensinaram que os raios azuis sofrem perdas gradativas de descarga por estarem mais perto do alvo.
E os brancos ou alaranjados possuem uma carga mais concentrada por estarem longe do alvo. 

Isso me fez entender que os azuis são menos perigosos. Então, na hora de enviar meu poder eu apenas desejei que fossem enviados os mais fracos, eu estava apenas aprendendo a usá-los, Não havia necessidade de serem poderosos. E eu consegui! Quebrei todas as lâmpadas alvo, lembrando exatamente onde e como elas estavam dispostas. 
Ouvi uma salva de palmas e abri os olhos. 
Feir tinha as vestes toda chamuscada, mas não estava machucada. Anárion olhava para mim com orgulho e Elessar me abraçou forte e falou:

= Bem querida Raposa agora queremos ver o ciclone.

Olhei para os três parados ao meu lado tão confiantes que não pestanejei; Mas quando vi o que propuseram quase desfaleci.

Anárion colocou no centro da cúpula 10 flechas mágicas que ela fez aparecer com seu arco encantado. Feir colocou suas facas, adagas e punhais que estavam sob suas vestes. E mandaram que eu fizesse o meu ciclone exatamente sobre elas, conclusão: 

Se um Furacão: precisa de um vento circular forte com uma velocidade igual ou superior a 108 km/h. Um ciclone precisaria que os mesmos ventos chegassem ou ultrapassassem uma velocidade de 120 km/h... Então essas armas iriam girar com uma velocidade superior a isso... E se eu cometesse qualquer erro meus amigos estariam mortos. Porque armas magicas tiram a vida dos Elfos.

 Eu respirei fundo acalmando minha mente. E pensei:

-“Eu sou um Elemental! Então eu posso controlar os elementos da natureza com a permissão do criador e de nossa grande mãe Gaya”!

Concentrei minha força de persuasão para formar o furacão começando por fora das armas assim ele faria o cone deixando-as do lado de dentro, no núcleo! 
No olho do furacão é tudo calmo. Se eu conseguisse isso meus amigos estariam salvos.

Comecei concentrando bastante umidade na cúpula, assim como quando o solo aquece as águas da chuva e elas sobem. Em seguida, fechei os olhos e enviei meu poder “siklon” criando um tornado usando essa umidade do ar, eu podia ouvir o sonar do vórtice fazendo as armas se tocarem no núcleo do tornado. 

Mantive a calma e ordenei que meu ciclone se tornasse um tornado de vórtices múltiplos. Para que na hora em que eu o desfizesse as armas ficassem todas juntas e não soltas no ar podendo matar um dos meus amigos. 
Quando o vórtice principal tomou força; eu senti que estava bom. Eu queria abrir os olhos, mas Anárion disse:

- Mantenha os olhos fechados até finalizar!

E assim eu fiz.

Ao finalizar o tornado, concentrei-me no vórtice interior para que ele fosse finalizado junto com o vórtice principal, mas com menos densidade.

Antes da finalização total ouvi o tilintar das armas caindo no chão e respirei aliviada finalizando o vórtice e sendo aplaudida.

No final Anárion me disse:

- Voce está pronta querida! E não precisará fechar seus olhos para usar seu poder futuramente, eu apenas precisava que voce usasse a concentração ao invés de usar a visão. Feir veio até mim e me deu um forte abraço dizendo no meu ouvido:

- Elendil é perfeito em tudo querida! Sem exceções! Não precisa ter medo.

Eu retribuí o abraço e agradeci... Mas para ser sincera, eu não entendi o porquê dessa recomendação. Medo do quê?

Elas se despediram de nós! Feir falou algo com Elessar que me deu uma olhada de deixar nua... E sorriu apertando os olhos. 
Elas montaram o alazão e partiram. Elessar fechou o portal de maneira que nada mais existia ali naquele local. Eu estava muito feliz por ter conseguido. Exultante mesmo.

Enquanto isso em “Suryanna” Dseyvar contava ao Rei o que faríamos.

Epilogo


O Rei Barzud sábio e arrependido do seu feito ancestral disse a ele;

- Meu querido Dseyvar! Toda essa sua tristeza e as consequências dela foram desencadeada por um gesto meu. Se eu pudesse voltaria atrás. Tudo na vida é uma sucessão constante de acontecimentos, de encontros e desencontros, de situações aparentemente inexplicáveis, diante das quais, muitas vezes, sentimo-nos como vítimas diante do carrasco implacável, impotentes diante de um destino cruel e irracional.

Mas se voce voltar ao ponto de partida que é a pergunta: 

- Porque isso está acontecendo?

 Vais ver que tudo está intimamente relacionado, numa sequência de ações que desencadearam as reações. O criador é infinitamente justo e bom, e nada ocorre que não seja seu desígnio. Não existe uma causa justa. Cada evento ocorre de forma natural, planejada e lógica. Eu procurei em mim mesmo e percebi que se eu não houvesse tentado coibir um ato designada pelo criador que era o direito de amar. Voce não estaria agora diante de mim me contando que irá vingar meu filho amado, porque ele estaria conosco Dseyvar meu adorado filho, não existe efeito sem causa.

“Todas as nossas ações são submetidas às leis do Criador; não há nenhuma delas, por mais insignificante que possa nos parecer, que não seja uma violação dessas leis. Se estamos sofrendo as consequências dessa violação, não devemos nos queixar senão de nós mesmos. Nós! Apenas nós! Somos os artífices de nossa felicidade ou de nossa infelicidade futura.” 

Me perdoe e tente esquecer isso. Já perdi Layudah meu filho querido, perdi Aodh seu pai nas mãos desse mesmo bruxo que irás procurar, não quero perder-te. 
Ao terminar de falar o Rei Barzud abaixou a cabeça, desolado, porque ele sabia que não conseguiu persuadir seu neto a não ir até o bruxo. Deu um grande abraço em Dseyvar ! Retirou do pescoço o medalhão que foi de Layudah e que se  rebentou na primeira vez que ele teve a metamorfose de homem em um cervo. Pegou também o arco que foi de Layudah e de Aodh... E ofertou a seu neto que talvez nunca mais irá ver assim como seu filho querido.

Dseyvar se despediu de seu querido avô e voltou para Uhat.....
.......

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Comentários

  1. O romance está no ar.. muito bom👏

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  2. Também penasva assim BigDad até ela mudar tudo lá no 9
    maldade!

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