Sacerdotisa de Kalystria

Episódio7

Capitulo I

Dseyvar pensou bastante sobre a proposta de Elessar em irem até Sion!
Ele com certeza, Elessar já sabia que assim que Dseyvar tivesse o paradeiro do bruxo ele iria até ele para mata-lo e não para fazer perguntas idiotas.

O único que sabia o paradeiro do desgraçado não estava mais entre nós.

- Ah! Deixa-me explicar porque digo isso:

Quando Dseyvar contou a história no dia em que voltei para casa depois de curada do ferimento. Ele ocultou de mim uma parte que Elessar já sabia. E cavaleiro como ele é não queria pôr-me em perigo antes que eu tivesse aprendido a usar meus poderes Elementais plenamente. Por isso ele convenceu Elessar a terminarmos o treinamento antes de irmos. Elessar me deixou mais dois dias descansando e depois voltamos ao treinamento.

- Não se espantem com a rapidez da minha cura! Somos Elfos e nos curamos rápido, ainda mais quando a cura é praticada por um mago no grau em que chegou nosso amigo Elessar.

Como eu estava dizendo:

 - Dois dias depois que voltei para casa retornamos à clareira para os treinamentos. 
Fomos os três para a clareira de Elessar. Dessa vez coloquei calça legging!

Mas o top era indispensável para ajustar e segurar o peso dos seios durante os movimentos bruscos. Não usei botas normais, usei “tabi” porque o objetivo seria chutar meu “alvo móvel” as botas normais mesmo sendo leves poderiam causar danos. Eu não queria que um chute mal dado ferisse Elessar ou Dseyvar. Eu ainda não sabia qual dos dois seria o meu “alvo móvel” (torcia que fosse Dseyvar por motivos que vocês já conhecem)
Ledo engano! Dseyvar apenas observava.

Elessar se posicionou com tranquilidade e atenção, olhos nos meus olhos... Eu demorei um pouco para atacar e ele disse:

= Sigel não esqueça que um Elfo consegue “farejar” o medo.

Ele me provocou ao dizer “farejar” daquela maneira me fazendo soltar ar de ferocidade pelas narinas como um rinoceronte pronto a atacar.
Elessar fazia movimentos contínuos como um felino para tirar minha atenção estampando um sorriso maroto e provocativo.
Normalmente eu me derreteria por aquele sorriso encantador e por seu belo abdômen se contraindo e relaxando durante sua respiração. Mas não aconteceu, porque ele feriu meus brios femininos! Eu serrei os punhos porque sentia uma grande vontade de chutar sua maravilhosa bunda real tomando conta de todo meu ser.

Lentamente comecei a mover meus pés com cautela, estava tentando enganá-lo para meu próximo movimento. Num momento inesperado abaixei o corpo e com um forte impulso girei para acetar uma bela rasteira naquele ser convencido que adorava me provocar ficando em uma perna só. Elessar apenas se afastou.
Tão veloz e esperto quanto uma gato, ele deu um salto por cima da minha perna que passava como uma poderosa alavanca. Me frustrei absurdamente porque meu golpe estava certo e calculado! Mas deixei estar!

Minha mente maleficamente planejava com cuidado enquanto nos movíamos em circulo, um novo e certeiro ataque para conseguir desbancar aquele Rei garboso. Mas não era fácil pegar Elessar desprevenido, porque ele era um grande guerreiro e exímio lutador! Possuía os reflexos de um felino, o que fazia com que fosse impossível um simples soldado investir contra ele. Sem que eu esperasse tal coisa, Elessar surpreendeu-me dizendo:

= Querida Sigel! Perdoe-me a sinceridade, mas voce está sendo previsível. Está estampado em seus olhos o seu próximo movimento contra mim. Seja criativa!

Estampada estava a minha ira!
Ainda mais quando ouvi um risinho de cumplicidade vindo de Dseyvar.
Apertei mais os meus punhos que já estavam fechados, cerrei meus olhos azuis sem deixar de encarar os olhos prateados do meu oponente.
Eu estava determinada a acertá-lo. Esvaziei a mente para que ele não a lesse. Deixei meu corpo livre ser levado apenas pela adrenalina do meu objetivo.
Com uma investida rápida e sem previsão, girei meu corpo novamente para tocar nas pernas de Elessar e derruba-lo com uma rasteira.
Quando o grande Elfo saltou para desviar.
Imediatamente eu mudei a trajetória do golpe, levantando o corpo e girando a outra perna, meu golpe pegou em cheio no quadril dele.

Elessar olhou-me com espanto e dessa vez foi eu que sorri sentindo meu corpo aquecer como se eu fosse poderosa. Começamos novamente com os nossos corpos circulando e atentos. Para uma nova e certeira investida, eu usei os movimentos que fazia nos treinamentos com tecidos para abertura e flexibilidade: deixei meu corpo leve e girei 360 graus para tirar a atenção do oponente, quando voltei ao ponto de partida saltei e elevei minha perna tentando acertar a cabeça de Elessar, Mas infelizmente essa investida não deu certo.

Elessar parou meu golpe num movimento tão rápido segurando meu pé que eu me senti cansada. E ridiculamente fiquei pulando num pé só para me apoiar até recobrar meu equilíbrio.
Elessar divertiu-se me olhando naquela posição e disse:

= Achou que conseguiria com tanta facilidade Raposa?

Ouvi-lo me chamar assim, me fez sentir tão íntima à ele que me arrepiei e perdi o equilíbrio. Elessar percebeu como fui afetada pelo que ele disse.
Mas para meu espanto encarou tudo seriamente dizendo:

= O guerreiro erra severamente quando confia demais nele. O excesso de confiança e tão letal como a falta dela.

Arrisquei um olhar furtivo para a pedra onde Dseyvar estava sentado como observador. Achando que ele devesse estar rindo, mas pelo contrário: ele permanecia sério e atento a tudo.
Elessar soltou minha perna com delicadeza enquanto Dseyvar observava de maneira séria, balançando a cabeça como uma forma de concordar com as palavras de Elessar.
Nosso treinamento continuou, eu me sentia mais confiante depois que tinha certeza que poderia atingir meu oponente. Nós nos movíamos como em uma dança. Vez ou outra eu desferia meus chutes tentando acertar de surpresa no quadril, na coxa, no antebraço, Mas ele sempre bloqueava todos. Depois de algum tempo me movendo, abaixando, levantando, girando e desferindo chutes meu corpo estava muito suado e exausto. Quanto ao belo Elfo na minha frente; estava intacto!

Dseyvar notando isso nos chamou dizendo:

- Deixe-a descansar um pouco Elessar! Vamos até o rio que vou acabar de contar a Sigel sobre minha história.

Elessar alongou os braços fazendo seu corpo relaxar enquanto eu desabei no chão com as pernas esticadas e os músculos tensos.

= Acha que deve??

Perguntou Elessar apreensivo. Talvez com receio que eu não quisesse mais acompanha-los devido ao perigo. Dseyvar não respondeu apenas aplaudiu e disse:

- Gostei de seus movimentos excelentes na luta Sigel! Voce conseguiu acertar Elessar e isso não é fácil.

Meu corpo vibrava de alegria pela euforia de ter acertado meu Mestre! Posso até afirmar que me senti orgulhosa! Mesmo tendo errado a maioria dos chutes minha autoestima estava a mil e pura adrenalina percorria todo meu interior.
Dseyvar ofereceu o cantil de água para Elessar: enquanto ele se virou para pegá-lo eu levantei e agarrei-o por trás e dizendo fanfarrona;

- Cuidado Elfo!

Elessar se virou rápido! Mas não foi por susto! Esse Elfo conseguia me perceber seja o que for que eu fizesse mesmo se estivesse distante de mim... Só queria ficar de frente para mim com aquele lindo sorriso! Eu disfarcei desviando os olhos, a força do olhar dele me inibia.
Eu disse para quebrar o momento.

- Agora eu posso desarmar-te quando eu quiser Elfo.

= Voce pode?

Ele perguntou devolvendo o cantil a Dseyvar e me abraçando forte, com jeito, com engenhosidade, tomando todo meu corpo em seus braços. Imediatamente o cheiro gostoso de suas lãs me invadiu... Senti uma espécie de vertigem...
Voltei a realidade quando senti seus lábios colados na maçã do meu rosto dizendo pertinho do meu ouvido com a voz trêmula e rouca.

= Voce sempre conseguiu Raposa!

(Com certeza naquele momento eu devia estar “emanando”...)

Um suspiro forte chamou nossa atenção. Olhamos para Dseyvar... Ele estava farejando o ar na minha direção... Senti-me muito envergonhada e a pensar que cheiro era aquele que emanava de mim que deixava os elfos tão...

Elessar percebeu meu embaraço e falou alto despertando o Elfo daquele transe libidinoso.

= Dseyvar!! Contenha-se!

- Desculpa Senhor!

Disse o Elfo se arrumando...

Passado uns minutos de toda aquela adrenalina tripla em conjunto. Fomos para beira do Rio. Elessar levitou até o alto da macieira e colheu umas maçãs que comemos enquanto Dseyvar concluía sua história.

Capitulo II

Como eu havia lhe dito querida Sigel: Eu cresci com a luz de um grande amor! O Rei Barzud havia me contado sobre a minha história, Mas com a escuridão do ódio pairando na em direção a esse feiticeiro.
Quando Aodh completou 19 anos estava esperando por Layudah para leva-lo a um lugar especial. Enquanto ele não chegava Aodh deitou-se novamente e pegou no sono. Quando foi despertado pelos gritos de sua mãe.

Ele estranhou! Já era dia, e ainda assim ele ouvia o grito dela.

Correu para ver o que estava acontecendo. Selissya segurava o corpo de Layudah sem vida e com uma flecha cravada no peito.
Selissya estava com ele porque A maldição tinha parado... Não era mais necessária. A morte era um impedimento muito maior.

Aodh viu quando um homem fugiu. Entre soluços ele percebeu que era o caçador que havia ferido de morte o “cervo” Seu querido pai. Aodh pegou a espada de Selyssia e foi atrás do caçador. Alcançou-o! O caçador pediu clemência, mas ele não ouvia, não queria ouvir. Segurou o humano e tirou-lhe a vida. Aodh ficou junto ao corpo, em prantos e de joelhos contemplando aquele corpo inerte e sangrando.
Ficou ali até que sua mãe parou de gritar. Pensando que algo havia acontecido a ela, Aodh foi para casa. Sua mãe estava sentada no chão abraçada ao corpo de seu pai balançando para frente e para trás olhando para o nada.

Selissya tinha os mesmos olhos mortos como o do caçador que ele acabara de matar. 
Tão absorta que doía o coração Aodh!
Selissya permaneceu naquela posição durante o dia inteiro.
Aodh decidiu deixa-la com seu pai por tanto tempo quanto ela precisasse.
A dor de Aodh só não era igualada a de sua mãe pela raiva que ele sentia.

Voltou até o corpo inerte do caçador e fez o corpo dele em pedaços com a espada de sua mãe. Poderíamos dizer que ele fez aquilo para esconder o corpo do caçador no mato, mas não foi! Ele queria tirar aquele ódio do coração. Aodh estava com raiva, culpava o assassino de seu pai pela dor de sua mãe, ainda que morto, não lhe deu alívio. No entanto, cada vez mais infeliz sentia uma sensação de repulsa pela sua violência.

Aodh esperou até o final da noite que sua mãe se recuperasse um pouco para fazer o enterro de seu pai, Ele sozinho cavou uma cova no local onde pela primeira vez Layudah e Selissya se encontraram. Na esperança de que quando caísse a noite, sua mãe pudesse encontrar seu pai novamente.

Selissya não respondia mais a Aodh! Ele pensou que ela estivesse desapontada com ele. Então pegou algumas coisas e foi para Amut. Com o passar do tempo a sua dor aumentou, voltou em casa e sua mãe continuava dispersa sem nem ao menos olhar para ele. Essa foi a última vez que Aodh viu a sua mãe. Ele a deixou com sua dor. Levou com ele como lembrança:
a espada de Selissya e o arco de Layudah. 

Por dias ele vagou sem rumo. 
Até que uma noite ele ouviu som de tambores vindo do coração da floresta e  uma luz que brilhava na escuridão. Começou a andar e a se embrenhar na floresta.
No coração da floresta havia um grande templo, construído com artesanato élfico. Para uma divindade de nome Kalystria. Onde os Elfos relutantemente abraçavam uma religião. Eles eram relutantes porque aqueles que não tinham devoção eram dominados por Kalystria com suas abelhas, seus punhais e sua beleza. Aodh parou diante do templo e ficou admirando a maravilhosa construção quando ouviu uma voz muito suave:

- "Eu estive esperando por voce...",

Por um momento Aodh pensou que tivesse sido a estátua de Kalystria que falava com ele. Quase gritou de susto e encantamento quando uma bela fêmea saiu das sombras. Tudo nela era sedução. A bela fêmea o convidou para entrar e o levou para trás dos véus e almofadas macias para conversar.
Aodh contou-lhe tudo que o afligia. Ela ouviu atentamente enquanto acariciava a mão dele. Seu toque era suave e hipnótico. Em seguida, ela começou a falar:
- “Eu sou Kalissia, a sacerdotisa do templo de Kalystria”.

 A grande mãe me fez ter a visão de sua chegada. Você está preso por “correntes cruzadas divididas”.

- “Você crê mesmo que o
desejo de vingança é errado”?

- “Quanto mais você se afundar em suas profundezas, mais ela se contorcerá fazendo de ti um ser infeliz e desesperado. Odiar o mal ao ponto de desejar que ele deixe de existir não está errado”.

A voz dela era quase um sussurro junto ao ouvido de Aodh quando ela disse;

- “Nós somos feitos de instintos o bem e o mal nos separa e também nos faz aceitá-los intimamente e a abraçar a nossa essência”...

A respiração dela era uma carícia sedutora.

Aodh começou a responder ao toque de das mãos Kalissia e ela inflamou-se e chegou mais perto. Então eles entenderam que certos instintos não podem ser controlados mesmo que seja cobrado um alto preço interno

Ela estava esperando pela luxúria de Aodh. Ele estava preso às correntes que o interrompia silenciosa, retardando o fogo que desejava arder na pequena cama no centro floresta naquela pulsante noite. O fogo Kalystria!
Que amava as paixões divididas que persistentemente se recusavam a arriscar.

Kalissia apresentou Aodh a Duini! Elfo fiel ao culto de Kalystria. Lutador hábil que o treinou nos meses que se seguiram. Aodh aprendeu a olhar para as suas paixões: aprendeu que aceita-las o faria sentir-se pleno. Os treinamentos foram intensos. Duini tornou-se como um pai para Aodh. Ele era rigoroso e justo!
Aodh confiava cegamente nele e os resultados foram visíveis.

Aodh havia se acostumado a viver com as forças de seu passado sem deixar que essas forças tivessem domínios sobre a sua vida. No entanto o passado exigia vingança! Esse mago teria que morrer!
Quando Aodh estava pronto, Duini o consagrou a Kalystria a Senhora da vingança e o enviou a completar sua formação.

Ele teria que matar o bruxo para que seu coração se purificasse! Duini deu para Aodh sua espada: (Uma espada sagrada com uma longa lâmina Elfa), um alforje com runas poderosas e disse a ele:

- “Vá adorado filho meu! Vá e faça justiça à sua vida que foi tomada por Aatank”.

“Ide, mas, por favor, retorne a nós com o coração de Aatank trancado nesse alforje para colocarmos no altar de Kalystria como sacrifício e símbolo da sua liberdade”.

Aodh saiu em busca da liberdade de sua alma.
Durante três luas! A tocha do lado esquerdo do templo de Kalystria permaneceu acesa a espera de Aodh. No alvorecer do terceiro dia após a ultima lua cheia a tocha apagou! Kalissia teve um sonho e chamou Duini.

Saíram a procura de Aodh... Eles encontraram a espada de Duini suja de sangue. E o alforje jogado ao léu sem as runas poderosas.

O sonho de Kalissia havia se cumprido! O bruxo havia vencido!

Quando eu completei 18 anos o Rei Barzud me chamou para uma conversa entre ele e eu... O Rei me deu uma caixa onde continha um pergaminho com essa história que acabo de lhes contar escrito com o próprio sangue de Kalissia  e uma frase frisada no final do pergaminho.

- “Somente quando voce matar Aatank o espirito de Aodh terá paz e voce estará livre do seu passado e pronto para entrar no mundo”.

Ass: Kalissia sua mãe....

.....

----------------------------------------------------------------------------
LEIA ANTES DE USAR: A partir das Constituições de 1891, 1934, 1946, 1967 e da Emenda Constitucional de 1969, o direito autoral do conteúdo desse Blog é exclusivamente de Katia Kristina Piereth A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) protege as relações entre o criador e quem utiliza suas criações literárias.

Comentários

  1. Ficou muito bom esse capítulo, raposinha. Parabéns..👏👏
    (Magno)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que não disse "Gatinha" iguala meu grande mestre!
      Obrigada Big Dad

      Excluir

Postar um comentário

Seja bem vindo! Agradeço seu comentário ou crítica

Postagens mais visitadas deste blog

Uma Espada É Viva

O Coração da Floresta

Presente da Deusa Evelin